A variedade de seres vivos em nosso planeta, isto é a BIODIVERSIDADE, tem fascinado a humanidade ao longo de sua história. Em praticamente todas as sociedades humanas encontramos explicações míticas ou religiosas para a origem dos seres vivos e de sua diversidade. Na sociedade ocidental, por exemplo, que incorporou tradições judaico-cristãs milenares, difundiu-se a explicação criacionista do universo e dos seres vivos descrita no livro de Gênesis, o primeiro livro da Bíblia.
Há cerca de dois séculos, começavam a surgir as primeiras explicações científicas para a origem da vida e da biodiversidade. Desde então, os cientistas têm conseguido reunir diversos indícios que permitem explicar a origem dos seres vivos e sua diversificação. De acordo com as explicações científicas, a enorme variedade de espécies viventes é resultado de processos de transformação e adaptação inerentes à própria vida, que constituem a EVOLUÇÃO BIOLÓGICA.
Até meados do século XIX predominou no mundo ocidental o criacionismo, teoria segundo a qual todas as espécies vivas foram criadas por ato divino, tal qual se apresentam hoje. De acordo com a teoria criacionista, o número de espécies vivas foi determinado por Deus no momento da criação.
A partir de meados do século XIX ganhou força a idéia de que seres vivos se modificaram ao longo do tempo, com novas espécies surgindo a partir de espécies ancestrais que deixaram de existir. Estabelecia-se, assim, a base da teoria evolucionista, ou EVOLUCIONISMO.
Idéias evolucionistas são bem antigas e já estavam presentes em escritos de filósofos da Grécia pré-socrática, por exemplo. No entanto, foi somente no final do século XVIII e início XIX que alguns naturalistas passaram a adotar idéias evolucionistas para explicar a diversidade do mundo vivo. O mais importante deles foi o francês Jean-Baptiste Antoine Lamarck. Ele propôs a primeira teoria baseada em argumentos coerentes para explicar a evolução biológica.
LAMARCK acreditava que os organismos atuais surgiram por transformações sucessivas de formas mais primitivas. Ele admitia que os seres vivos mais simples haviam surgido espontaneamente a partir de matéria não viva, modificando-se ao longo de incontáveis gerações.Com base nas observações de que certos órgãos corporais se desenvolvem quando são muito utilizados e atrofiam-se quando pouco solicitados, Lamarck elaborou a lei do uso e desuso. Ele supôs então que características adquiridas pelo uso intenso ou pela falta de uso dos órgãos poderiam ser transmitidas à descendência; idéia que ficou conhecida como lei da transmissão de caracteres adquiridos. Essas duas leis constituem a essência do lamarckismo.
Um dos exemplos utilizados por Lamarck para ilustrar suas idéias é a ausência de pernas nas serpentes atuais, atribuídas por ele à falta de uso dos membros locomotores nos ancestrais desses animais. A adaptação a um modo de vida rastejante teria levado os ancestrais das serpentes a utilizar pouco as pernas, que tenderiam a se atrofiar. A atrofia seria transmitida à descendência ao longo das gerações, resultando no desaparecimento completo das pernas nas serpentes atuais.
Hoje sabe-se que as alterações causadas pelo uso e desuso dos órgãos corporais não se transmitem à descendência, o que invalida a explicação de Lamarck para evolução biológica. Por não apresentar um mecanismo convincente para explicar a evolução biológica, e por não ter sugerido relações de parentesco evolutivo entre as espécies, a teoria de Lamarck não chegou a abalar o Criacionismo. Isso só viria a acontecer um pouco mais tarde, com as idéias de Charles Darwin.
Segundo DARWIN, a cada geração morre grande número de indivíduos, muitos deles sem deixar descendentes. Os indivíduos que sobrevivem e se reproduzem, a cada geração, são preferencialmente os que apresentam determinadas características relacionadas com a adaptação às condições ambientais. Essa conclusão resume o conceito darwinista de SELEÇÃO NATURAL.
Uma vez que, a cada geração, sobrevivem os mais aptos eles tendem a transmitir aos descendentes as características relacionadas a essa maior aptidão. Em outras palavras, a seleção natural favorece, ao longo das gerações sucessivas, a permanência e o aprimoramento de características relacionadas à ADAPTAÇÃO.
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